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Os filmes de kung-fu não mostram kung-fu de verdade, revela relatório

Especialistas do setor imploram às crianças que parem de quebrar os móveis da sala com chutes e saltos de caratê.

Dois dublês com quimono de artes marciais laranja-açafrão, suspensos por cabos bem visíveis em pleno chute e salto no estúdio de uma produtora, cercados por equipe técnica, câmeras e refletores.

Um aguardado relatório do setor, divulgado na terça-feira pelo Conselho Conjunto de Diretores de Fotografia do Cinema de Artes Marciais, concluiu, após um estudo de três anos, que o combate coreografado mostrado nos longas-metragens de kung-fu não representa com precisão a verdadeira arte marcial do kung-fu tal como praticada por seus estudantes de uma vida inteira.

O relatório de 412 páginas, adiado várias vezes "para que parecesse mais maneiro", constatou que praticamente toda sequência de ação filmada no gênero desde 1971 envolveu ao menos um dos seguintes recursos: cabos, montagem, dublês, adereços de espuma, reprodução em câmera lenta, reprodução acelerada, design de som, ou tudo isso ao mesmo tempo, como em A Câmara 36 de Shaolin (1978).

"As conclusões foram difíceis de digerir para alguns fãs do gênero", disse um executivo que faz filmes de kung-fu desde 1973. "Como resultado, minha casa tem vários objetos quebrados e buracos na parede. Por causa dos meus filhos."

O que o relatório constatou

Cem por cento dos coreógrafos entrevistados admitiram ter usado cabos em ao menos uma cena. Mais de 70% dos lares com crianças assistindo a O Mestre Invencível (1978) tiveram um ou mais objetos internos, paredes ou pisos danificados ou destruídos. Isso inclui cadeiras de balanço, televisores, a antiga bomboniere da vovó e uma variedade de outros adereços. A destruição fica ainda pior se houver um cachorro de porte médio a grande.

As consequências numa sala destruída: TV de tela plana rachada, janela panorâmica em estilhaços, sofá rasgado com o enchimento à mostra, salgadinhos e latas de refrigerante derramados, duas crianças de pé em meio aos destroços. Legenda: fantasmas destroem misteriosamente a sala durante uma maratona de filmes de kung-fu

No espectro sonoro, os sons de impacto dos filmes de artes marciais são adicionados na pós-produção, por um artista de foley batendo num costelão de carne com um taco de madeira. Enquanto isso, 100% dos pais que trabalham à noite relataram ser acordados à tarde por crianças soltando os gritos mais horripilantes durante Os Cinco Venenos (1978). "Achei que o aspirador estava engolindo o gato", disse Dan Sorensen, motorista noturno da UPS, que teria gritado, numa voz de pai totalmente normal, que precisava da bendita soneca e que estava prestes a dar uma surra de kung-fu na bunda dos moleques.

Sabe-se também que fantasmas assombram casas onde passam filmes de kung-fu, provocando batidas inexplicáveis no teto de cima enquanto as crianças assistem caladas a O Mestre da Guilhotina Voadora (1976). Algumas crianças afirmaram testemunhar objetos voando pela sala e se quebrando, e juraram que foi por uma força invisível. Segundo informações, um roteirista empreendedor está vendendo ao History Channel um projeto chamado "Casas de Kung-Fu Assombradas com Crianças", em que sons sobrenaturais de concentração de Chi acompanham bebidas misteriosamente derramadas e enchimento de travesseiro por toda parte.

Homens adultos, acrescenta o relatório, também costumam entrar em combates espontâneos de kung-fu ao mudar de canal e topar com uma velha exibição em preto e branco de A História de Wong Fei-hung (1949). "Acho que a gente realmente não estava pensando", disse Dale Fonterau à esposa irritada, que se postava acusadora sobre o abajur de chão quebrado. Ela observou que as cinco cervejas que ele já tinha tomado com o amigo Darshell provavelmente haviam contribuído.

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O que vem a seguir

Apesar de uma longa tradição de anunciar em alto e bom som seus ataques planejados de antemão, o setor mantém-se calado sobre quaisquer mudanças previstas, como selos de Aviso aos Pais para filmes de kung-fu, advertências do Departamento de Saúde sobre a porcentagem de gente que vai parar no pronto-socorro por rachar a cabeça na mesa de centro depois de ver Operação Dragão (1973), ou cartilhas do governo sobre como blindar sua casa contra o kung-fu.

Espera-se que o setor continue fazendo filmes exatamente como sempre fez, desde que seja barato. Produção barata, atores baratos e sem pagamento, efeitos nada especiais e uma dublagem em inglês péssima. Mr. Vampire (1985) se destaca pela produção econômica e também por se recusar a reconhecer a gravidade por completo.

Perguntado se o relatório levaria a alguma mudança na prática, um porta-voz do Conselho Conjunto esclareceu: "Tentem nos obrigar! Vocês vão se arrepender da insolência. Buscaremos vingança até que cada um dos boxeadores de um braço só seja liquidado!". Um porta-voz do porta-voz suavizou a expressão para "o Golpe Final do Conselho".

Os autores do relatório admitem que esse padrão só vai se agravar, e preveem que ao menos seis pessoas que lerem este artigo enfiarão os dedos nos olhos do colega de baia com a técnica da Garra da Águia.

Gravura clássica em sépia de uma produção teatral shakespeariana com um ator suspenso por uma corda visível acima das cortinas, outros atores atuando no palco abaixo e o público sentado assistindo

A Satyr Satire pediu comentários ao Conselho Conjunto de Diretores de Fotografia do Cinema de Artes Marciais. O Conselho recomendou que as crianças brinquem lá fora, não dentro de casa, a menos que queiram uma surra.