SCOTTSDALE, AZ — Depois de quatorze anos ajudando clientes a definir metas ambiciosas, montar sistemas de responsabilização e visualizar suas melhores versões, a coach de vida certificada Brenda Hollis atualizou sua metodologia. Agora ela recomenda desistir.
«Refleti bastante sobre isso», diz Hollis, 47, que possui certificações da International Coaching Federation, do American Board of Neuro-Linguistic Programming, e de um intensivo de fim de semana que concluiu em 2019 chamado Desbloqueando o Você Infinito. «E acho que a coisa mais honesta que posso dizer às pessoas neste momento é: parem.»
A guinada, que Hollis anunciou num boletim aos seus 2.300 assinantes na última terça-feira, foi descrita por clientes como «inesperada», «revigorante» e, num dos casos, «a primeira coisa que ela disse que fez sentido».
O Método
Hollis enfatiza que sua nova abordagem não é simplesmente desistir. É, explica ela, o desengajamento intencional, uma metodologia estruturada que ela batizou de método S.T.O.P., sigla para Surrender (Render-se), Trust (Confiar), Observe (Observar) e, por fim, Please ... more surrendering (Por favor ... renda-se mais um pouco).
«Existe todo um processo», diz ela. «Você não desiste de qualquer jeito. Você desiste deliberadamente. Você desiste com consciência. Você fica sentado com a desistência e pergunta: o que essa desistência está me dizendo? E a resposta, normalmente, é que a meta era ruim.»
Ela desenvolveu um programa de seis semanas, uma apostila e uma aula magna de 90 minutos, todos guiando os participantes pelo processo de identificar quais áreas de suas vidas abandonar primeiro.
«Começamos pela academia», diz ela. «É ali que a maioria das pessoas carrega a vergonha mais pesada. Resolvemos isso na primeira semana. Lá pela terceira semana, a maioria dos clientes também já largou o romance, o trabalho paralelo e qualquer crença remanescente de que um dia vão retornar a ligação para a mãe.»
Uma Mudança de Direção
Hollis diz que a mudança começou três anos atrás, quando ela notou um padrão entre seus clientes.
«Eles estavam fazendo tudo certo», diz ela. «Quadros de visualização. Rotinas matinais. Diários de gratidão. Afirmações. Parceiros de responsabilização. E estavam exaustos, infelizes e sem chegar a lugar nenhum.» Ela faz uma pausa. «Comecei a me perguntar se eu era o problema. Aí percebi que o problema eram as metas deles, não eu. O que foi um alívio.»
Ela começou a testar discretamente a nova abordagem com clientes selecionados, pedindo a eles que simplesmente parassem de perseguir uma meta por mês e observassem o que acontecia.
«Não aconteceu nada», diz ela. «E me senti fantástica em relação a isso. Eles ainda estão tentando entender como se sentem. Vamos dar tempo a eles.»
Trust (Confiar)
Observe (Observar)
Please, renda-se de novo
A Ciência
Hollis faz questão de observar que seu método é baseado em evidências, citando o que descreve como «um corpo crescente de pesquisas» que sugere que muitas metas não são alcançadas pelas pessoas que as definem.
«Os dados são muito claros», diz ela. «A maioria das pessoas que quer correr uma maratona não corre uma maratona. A maioria das pessoas que quer escrever um livro não escreve um livro. A maioria das pessoas que quer aprender italiano continua sem falar italiano cinco anos depois.» Ela abre as mãos. «Claramente, não somos capazes de realmente concluir nada.»
Quando perguntada sobre quais estudos específicos estava citando, Hollis disse que os enviaria. Eles não haviam chegado até o fechamento desta edição. É bem provável que nunca cheguem.
Respostas dos Clientes
As reações entre os clientes atuais de Hollis foram variadas.
Derek Ashworth, 39, um gerente de projetos de Phoenix que trabalhava com Hollis havia dois anos numa meta de lançar uma marca de roupas esportivas sustentáveis, diz que a nova direção foi uma surpresa.
«Ela me disse para deixar para lá», ele conta. «Perguntei se ela queria dizer processar isso emocionalmente e seguir em frente com clareza renovada. Ela disse que não, queria dizer parar de fazer aquilo.» Ele fica em silêncio por um instante. «E parei. Me sinto bem.»
Outra cliente, que pediu para não ser identificada, disse que a princípio ficou chateada com o conselho, mas acabou se conformando.
«Ela me disse que minha meta de me tornar instrutora de ioga era 'aspiracionalmente decorativa'», disse a cliente. «Não sabia o que aquilo significava. Fui pesquisar. Não existe definição. Mas acho que ela estava certa.»
Resposta da Comunidade de Coaching
A International Coaching Federation recusou-se a comentar a nova metodologia de Hollis, dizendo apenas que «incentiva todos os coaches a operar dentro das diretrizes éticas estabelecidas».
Marcus Trent, um coach de vida sediado em Denver que treina coaches há onze anos, disse considerar a abordagem «preocupante. Particularmente para a profissão de coaching».
«A premissa inteira do coaching é que as pessoas podem mudar, crescer e atingir suas metas com o apoio certo», disse ele. «O que a Brenda está descrevendo é o oposto disso.»
Ele acrescentou que vinha trabalhando numa réplica e que a compartilharia quando estivesse pronta. Ele está trabalhando nela há três semanas.
Próximos Passos
Hollis está atualmente escrevendo um livro sobre a metodologia, intitulado Bom o Bastante: Um Guia Radical para Parar. Ela espera terminá-lo até o fim do ano, embora reconheça a ironia.
«Minha editora apontou isso», diz ela. «Eu disse a ela que era uma coisa muito normal de se apontar, que entendia por que ela fez isso, e a incentivei a parar de pensar nisso.»
Ela tem uma lista de espera de 60 novos clientes em busca de coaching dentro do novo método.
«Eles estão muito motivados», diz ela. «Vou dar um jeito nisso.»
Hollis oferece uma sessão gratuita de 20 minutos para clientes em potencial. A sessão, observa ela, é totalmente opcional.