Genebra Pesquisadores construíram um chip inspirado no cérebro que opera a apenas frações de grau acima do zero absoluto, entre as condições mais frias já produzidas e, acrescentaram observadores, ligeiramente acima do tom de um e-mail corporativo de desculpas.
Em temperaturas assim, a resistência elétrica praticamente desaparece, atingindo um nível de cooperação sem atrito que o departamento de recursos humanos passou décadas descrevendo em declarações de missão, mas nunca uma única vez observou.
Perguntados para que serve o chip, os pesquisadores ofereceram o horizonte de sempre: modelar proteínas, quebrar códigos e, eventualmente, alimentar a árvore telefônica automatizada que já hoje não consegue entender a palavra 'atendente'. Os observadores ficaram mais animados com o último item, notando que um sistema tão frio enfim tinha sido construído exatamente conforme a especificação.
Céticos alertaram que uma máquina que só funciona quando absolutamente tudo ao seu redor esfriou pode ter dificuldade de encontrar aplicação fora do cenário moderno de relacionamentos, onde ela deve se sentir perfeitamente em casa.
Mantê-lo na temperatura certa exige um sistema de refrigeração do tamanho de uma pequena capela e um orçamento que o laboratório só descreveria como 'devocional'. Uma pesquisadora sênior disse que o calor da sala, a respiração dos técnicos, qualquer traço de presença humana, tudo isso a máquina registra como ruído. "Ela tem o melhor desempenho quando não há ninguém ali e nada é sentido", afirmou, uma especificação que ela compartilha com a própria central de ajuda da empresa.
Pressionada sobre se o chip poderia algum dia funcionar em temperatura ambiente, a equipe foi franca: aquecê-lo faz o sistema inteiro perder a coerência e parar de funcionar, um modo de falha que o resto de nós simplesmente chama de segunda-feira.
O Satyr Satire procurou o chip para comentar e foi colocado numa fila. Ele estimou nossa espera para a morte térmica do universo.